No mundo da fragmentação, da chuva de emoções baratas, sentimentos produzidos por poderosos agentes da comunicação, garota/mulher que vê abrir à sua frente um leque de possibilidades. O problema é a incerteza do amanhã e a efemeridade do hoje. Porque o mundo precisa manter seu fluxo alienante em constante atividade, para que não entre em colapso profundo.
O importante não é estar junto. O importante é estar conectado. Estou te vendo pela tela do computador, sei que você está ali, mas não é preciso nem que você se manifeste, sua conectividade com o mundo virtual é sua conectividade com a síndrome da solidão. A síndrome da solidão. Ele não ama, mas jura amar, assim como ela, que confunde carência com o sentimento mais puro que existe. Se afundando no mar de ilusões. Um dia todos irão chorar e se arrepender pelas facas lançadas a seres inocentes, ou talvez não. Talvez achem que seus comportamentos medíocres tenham sido o melhor a ser feito.
Mediocridade confundida com felicidade. Está ausente, mantenha-se assim e não exponha ao mundo a sua hipocrisia, pois eu sinto vergonha alheia. Quando grita ao mundo todo seu descontentamento, se esquece de que há ainda uns poucos seres que o escutam e acreditam em suas palavras. Discursos e ações nasceram para andarem de mãos dadas. Suas palavras parecem estar sendo levadas pelo vento e sua força parece mínima para que elas não escapem. Força? Não há força, apenas a luta por uma imagem a ser construída e uma reputação a ser mantida. Porque é tão bonito ser aquilo que não se é… Porque é tão fácil hastear a bandeira ao fim do mastro e em sua base mostrar o dedo do meio… Porque é simples mandar o mundo à merda e colocar-se dentro de casa, concentrando-se em um mundo fugidio e esquecendo-se de que há lá fora um mundo que necessita de dignidade.